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Mercado e opinião

Qual a oportunidade estrutural do mercado imobiliário

Carolina Caribé Marques/2 de março de 2026/3 min de leitura

O mercado imobiliário brasileiro pode estar diante de uma das maiores oportunidades estruturais das próximas décadas.

E quase ninguém está tratando isso com a profundidade necessária.

Estou falando de Senior Living.

Spoiler do futuro: todos nós vamos envelhecer.
A questão é: onde e como vamos morar?

O Brasil passou por uma transição acelerada.

Em 2000, pessoas com 60+ representavam cerca de 8,7% da população.
Em 2023, esse número já ultrapassa 15%.

Nas próximas décadas, a população idosa continuará crescendo e, em muitas regiões, poderá superar a população jovem.

Isso não é tendência comportamental.
É matemática demográfica.

Quando demografia muda, o produto imobiliário precisa mudar junto.

Moradia, saúde, bem-estar e serviços começam a se cruzar.
É nesse ponto que nasce o Senior Living.

Hoje existe um vácuo de oferta.
E esse vazio tende a se tornar mais evidente nos próximos 5 a 15 anos.

O segmento ainda é incipiente quando comparado a EUA e Europa.

Historicamente, o Brasil concentrou soluções em ILPIs e modelos assistenciais tradicionais, muitas vezes com baixa valorização de produto e imagem social limitada.

Mas o novo público 60+ não quer “ser cuidado”.
Quer viver com autonomia, dignidade e pertencimento.

E isso muda completamente o conceito de produto.

O desafio não é apenas imobiliário.
É regulatório, contratual e, principalmente, operacional.

Senior Living é:

Real estate + serviços + gestão especializada.

Sem operação estruturada, o ativo não se sustenta.

Alguns exemplos no Brasil mostram que o movimento começou:

  • Terça da Serra, que expandiu modelo de escala a partir do interior paulista.

  • Naara, liderado por Joseph Nigri, com VGV projetado de R$ 160 milhões em Higienópolis.

  • Vitacon + Housi, com VGV estimado de R$ 400 milhões para unidades 60+.

  • Loma Pedra Branca (Dom Senior Living), em Florianópolis.

  • Agerip, em São José do Rio Preto.

A maioria ainda está concentrada em alto padrão, com taxa de entrada + mensalidade.

Ou seja: o mercado ainda está em formação.

Estimativas indicam que, com apenas 1% de penetração no mercado habitacional brasileiro, o segmento pode gerar mais de R$ 140 bilhões em VGV.

Mas o potencial real vai além do VGV.

O modelo combina:

• Receita imediata (venda das unidades)
• Receita recorrente operacional
• Permanência longa
• Gestão ativa de serviços

Em uma simulação hipotética de 200 unidades:

• VGV estimado: R$ 240 milhões
• Receita de serviços em 10 anos: R$ 122 milhões
• ROI projetado: 61,7%

É um modelo híbrido e isso muda completamente a lógica de desenvolvimento.

Esse mercado é promissor.

Mas não é intuitivo.

Sem:

• Pesquisa profunda de demanda
• Modelo operacional robusto
• Estrutura financeira clara
• Estratégia de marketing educativo
• Escala mínima sustentável

O risco de vacância, inadimplência e falhas operacionais aumenta.

Senior Living não pode ser vendido como “asilo moderno”.

Ele precisa ser aspiracional.

Qualidade de vida, autonomia, comunidade e segurança precisam estar no centro da proposta.

Venda aqui não é transação.

É construção de confiança.

O boom da longevidade será uma das maiores mudanças estruturais do setor imobiliário.

A pergunta não é se esse mercado vai crescer.

É quem vai estruturar produto, operação e modelo financeiro antes da consolidação.

Quem entra com método constrói plataforma.
Quem entra sem estratégia constrói projeto isolado.

E projeto isolado não constrói liderança.

Senior Living não é sobre envelhecer.

É sobre redefinir como se vive.

Demografia é estrutural.
Operação é central.
Marca é diferencial.
Modelo financeiro é decisivo.

A questão não é se esse mercado vai crescer.

É:

Você vai observar…
ou estruturar para liderar?

Atualizado em 30 de agosto de 2026

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Artigo escrito por

Carolina Caribé Marques

KTH Royal Institute of Technology · FGV · Camargo Corrêa · Cyrela

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