Por que negociação e cadeia produtiva definem a margem
Carolina Caribé Marques2 min de leitura
O dia 11 da imersão na Canton Fair representa a evolução natural do processo iniciado no dia anterior. Se o primeiro contato foi marcado pela leitura e reconhecimento da cadeia produtiva, o segundo dia introduz um nível mais avançado de atuação: a negociação estruturada.
O ambiente já não é mais desconhecido. As referências foram construídas. E a atuação passa a ser orientada por critérios mais objetivos.
Da exploração à seleção estratégica
O segundo dia é caracterizado pelo retorno aos fornecedores que apresentaram maior aderência às necessidades de cada operação.
Essa seleção não ocorre de forma aleatória.
Ela é resultado de uma análise que considera:
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compatibilidade com o tipo de produto desenvolvido
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capacidade produtiva e consistência do fornecedor
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nível de qualidade exigido
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viabilidade logística e operacional
Esse movimento representa uma mudança relevante na forma de atuação do incorporador, que passa a operar com maior intencionalidade.
Negociação direta com a indústria
A interação com os fornecedores evolui para um nível mais profundo, envolvendo discussões estruturadas sobre:
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preços em volume
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quantidades mínimas de pedido (MOQ)
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prazos de produção e entrega
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condições de pagamento
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possibilidades de customização
Ao negociar diretamente com a indústria, elimina-se uma parte significativa das camadas intermediárias, o que impacta diretamente o custo final do produto.
O impacto da eliminação de intermediação
A redução de intermediários não representa apenas economia pontual.
Ela altera a estrutura do empreendimento ao permitir:
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maior controle sobre o custo
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aumento de margem
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maior previsibilidade financeira
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alinhamento entre especificação e fornecimento
Essa mudança transforma a cadeia de suprimentos em um ativo estratégico, e não apenas operacional.
Custo como sistema integrado ao desenvolvimento
Um dos principais aprendizados desse momento está na compreensão de que o custo não pode ser analisado de forma isolada.
Ele está diretamente conectado a decisões estruturais do desenvolvimento imobiliário, como:
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definição do sistema construtivo
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nível de padronização do produto
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estratégia de compras
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planejamento logístico
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compatibilização entre projeto e insumos
Essa visão amplia o papel do incorporador, que passa a atuar como gestor de uma cadeia produtiva integrada.
Escala, padronização e eficiência
A interação com fornecedores evidencia a importância da escala e da padronização como ferramentas de eficiência.
Quanto maior a previsibilidade e o volume, maior a capacidade de negociação e melhor a estrutura de custo.
Esse entendimento reforça a necessidade de planejamento estratégico do portfólio, e não apenas de projetos isolados.
A mudança estrutural
O dia 11 consolida uma mudança profunda na forma de interpretar o desenvolvimento imobiliário.
A negociação deixa de ser um elemento tático e passa a ser uma ferramenta estratégica.
A cadeia produtiva deixa de ser um meio e passa a ser uma vantagem competitiva.
E o custo deixa de ser aceito como dado e passa a ser estruturado como escolha.
Próximo passo
Este artigo é a etapa 02 do Fluxo do Desenvolvimento Imobiliário®. O método inteiro tem sete.
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Carolina Caribé Marques
KTH Royal Institute of Technology · FGV · Camargo Corrêa · Cyrela
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